Por Adriana Leocádio
www.portalsaude.org
Cada vez que preciso utilizar o sistema de saúde, seja publico ou privado, tenho a nítida sensação que alguém está me perguntando: eu disse que você tem direito a ficar doente? Deve ser pura mania de perseguição minha, obvio. Uma dessas coincidências que acontecem na vida ou como disse os psiquiatras, algo meio "esquizofrênico".
O que mais lamento na minha sensação é que ela parece ser coletiva, o que também deve ser mera coincidência, afinal porque vamos comemorar os avanços tecnológicos da ciência se é melhor reclamar da má administração política dos nossos nobres governantes. Porque comemorar que temos condições de viver por mais anos de forma saudável, fruto da prevenção, melhores condições físicas, acesso à saúde possibilitando a adequação dos modernos tratamentos às mais variadas faixas etárias.
No fundo o que acabo concluindo que tudo é uma mera roda onde sempre aplicamos as mesmas frases de efeito, que por vezes ficam lindas na mídia, ou em "papo-cabeça" na mesa do bar. Ficamos meramente no papel de vitimas observadores, como se nada estivesse acontecendo e tudo é culpa do Governo que por sua vez elege os laboratórios como grandes vilões e utilizar as ONGs para ganhar dinheiro, que faz uso da justiça através dos conceituados Doutores especializados na área da saúde, que lotam os tribunais com suas liminares para conseguir o tratamento para quem se atreveu a ficar doente.
O acesso à informação, a cultura, ao conhecimento é muito mais importante do que o acesso ao Advogado. Tá na hora de nos qualificarmos, a ignorância é a pior doença que podemos ter, principalmente em ano de eleição.
Ao ler uma brilhante matéria escrita pelo jornalista Leandro Quintanilha, na Revista da ABCâncer, me deparei com as seguintes palavras:
"É mais importante acrescentar vida aos dias que dias à vida"*
Essa matéria tem o seguinte titulo: Infinita enquanto DURE. Ver no paciente e não na doença a razão de ser da atividade de saúde é o propósito dos cuidados paliativos. Nessa modalidade de tratamento, todos se unem e formam um mesmo time e dessa forma temos a possibilidade de ganhar de goleada no jogo na vida.
*Cicely Saunders, que criou, em 1967, em Londres, um Hospital especializado em cuidados paliativos.
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segunda-feira, 4 de agosto de 2008
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